João Correia

(1904-1976)

   Nasceu na freguesia de São Pedro, a 16 de março de 1904, na rua Imperatriz Dona Amélia. Era filho de Manuel Correia, natural da paróquia de Santa Cruz e de Maria Martinha Fernandes, natural da freguesia de São Pedro.

Casou-se com Leonor Gomes Farinha (1907-1987), a 24 de abril de 1926, natural da paróquia de São Pedro. Do matrimónio nasceram dois filhos: Carlos Edmundo Bento Correia (1926-1994) e Maria Judite Correia (1928-2012).

João Correia iniciou a arte de carpintaria aos 12 anos de idade. Aos 16 anos ensaiou-se no embutido e, aos 22, passa a trabalhar por conta própria.

Uma das suas obras mais conhecidas é um cofre, de 40 , decorado com a bandeira inglesa e vários escudos britânicos. Foi encomendado por uma fábrica de bordados do Funchal, para resguardar uma toalha pedida pela colónia portuguesa na África do Sul e destinada a presentear a então princesa Isabel. Poderá ter sido entregue durante a visita à Africa do Sul e Rodésia (1947), no dia em que a futura rainha completou 21 anos.

Outra obra de João Correia é uma caixa embutida com motivos regionais e uma vista da vila de Câmara de Lobos, que serviu de embalagem à toalha de bordado, com que o governador civil do Funchal, capitão-de-mar-e-guerra, João Inocêncio Camacho de Freitas (1899-1969) presenteou a princesa Maria Pia de Saboia, em 1955, aquando da sua vinda à Madeira. Vinha com o marido em lua de mel, o príncipe Alexandre da Jugoslávia (1924-2016), de 23 de fevereiro a 9 de março de 1955.

Entre 1951 e 1958, João Correia fez para a Delegação de Turismo da Madeira algumas caixas de cigarros e de cartas de jogar com incrustações nos respetivos tampos, guarda-joias e uma caixa então avaliada em 500 escudos. Estes artefactos destinavam-se a ofertas institucionais.

A convite da referida Delegação de Turismo, João Correia participou na Exposição de Indústrias Regionais, decorrida a 7 e 8 de janeiro de 1957, na Quinta Vigia, no âmbito de uma filmagem, realizada pela Louis de Rochemont Cinemirade Produtions Inc.

Segundo a sua neta Graça Maria Faria, o avô ensinou incrustação, durante um período curto na década de 1960, na Escola Industrial e Comercial do Funchal. Nunca teve ateliê aberto ao público, trabalhava por encomenda e para lojas de artefactos.

João Correia veio a falecer a 13 de fevereiro de 1976, aos 71 anos de idade. Residia rua Coronel Cunha, n.º 26, freguesia de Santa Maria Maior.