Eduardo Pereira

(1871-1941)

Nasceu a 28 de março de 1871, no sítio do Farrobo de Cima, freguesia de São Gonçalo, filho de José Pereira e de Maria Fernandes.

Casou em primeiras núpcias, com Maria Rodrigues, a 19 de novembro de 1892, na paróquia de Santa Maria Maior. Do matrimónio nasceram dois varões e três raparigas:
Maria Clotilde Pereira (1895-1979), José Pereira (1897-?), Carolina Pereira (1899-?), João Pereira (1902-?) e Maria (1904-1904).

Desposa em segundas bodas com Maria Edviges dos Santos Mendes, a 28 de julho de 1906, na paróquia de São Pedro. Deste conjúgio nasceram três filhos e uma filha: Eduardo Daniel dos Santos Pereira (1908-?), Edmundo Hermógenes Pereira (1914-1969), Óscar Saturnino Pereira (1917-1991) e Maria Gilda Olegária Pereira (1924-1927).

Foi o único marceneiro-embutidor nado no século XIX, que fez os três cursos de desenho da Escola Industrial António Augusto Aguiar, finalizando os mesmos nas seguintes datas: em 1896, 3.º ano de Desenho Geral Elementar; em 1901, 3.º ano de
Desenho Ornamental; em 1912, 3.º ano de Desenho Arquitetónico.

Considerado o mais talentoso marceneiro-embutidor da Madeira.

Das suas obras destacam-se:
Uma jardineira-escrivaninha, pé-de-galo, embutida com os emblemas reais e obsequiada à rainha, aquando da visita real à Madeira, de 22 a 25 de junho de 1901;
Uma bandeja embutida, que lembra um perfeito charão e uma escrivaninha tendo na tampa “um desembarque no nosso porto” para a Exposição Nacional Comemorativa do 1.º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, que se
realizou em 1908;
Uma mesa circular, ao centro da qual avulta o busto do general francês Ferdinand Jean Marie Foch (1851-1929), ostentando em volta os escudos das nações aliadas. Adquirida para um museu da capital francesa;
Uma caixa em til, tendo na tampa, em embutido, as armas do Funchal e da Bélgica e alguns dizeres alusivos à Exposição de Antuérpia, encomendada pela Associação Comercial do Funchal. Projetada para levar 12 garrafas de vinhos Madeira de 1830, ano da
independência daquele país, oferecida ao rei dos Belgas;
Uma mesa, em forma de jardineira, com os escudos dos onze concelhos do distrito do Funchal embutidos e ao centro uma figura de João Gonçalves Zarco. Foi executada para a Grande Exposição Industrial Portuguesa, de 1932. Esta obra mereceu o Grande Prémio
de Honra;
Uma mesa tendo ao centro a figura de D. Afonso Henriques, fechada em círculo, com um letreiro em cercadura com a seguinte inscrição «Fundador da Nação Portuguesa que mais glórias e nações deu ao mundo»; e, ladeando as datas de «1139-1939». Em outro
círculo mais amplo e concêntrico estão representadas 16 figuras de individualidades que se destacaram nas ciências, nas artes ou nas letras. Cada personagem tem um facho alusivo ao seu domínio de saber. Em redor das figuras, e ao alto, estão bordados os seus brasões de armas envoltas em ramadas de carvalho e de oleira. Remata os círculos uma lista marchetada de cores, dando maior realce ao conjunto. O pé da mesa, subdivide-se em três pernadas terminadas em garra, com embutidos, filetes e florões. A caixa onde assenta o tampo da mesa é um dispositivo de escrivaninha, com divisões e cacifos. Com esta obra participa na Exposição do Mundo Português, realizada em Lisboa, entre 23 de junho e 2 de dezembro de 1940. Autor do projeto foi Fernando Augusto da Câmara (1880-1949), seu antigo colega na Escola Industrial António Augusto de Aguiar.

Morreu aos 70 anos de idade, a 3 de outubro de 1941, na sua residência.

No dizer do Padre Eduardo C. N. Pereira, a morte de Eduardo Pereira, encerrou a última oficina pública aberta no Funchal.